Importação de morango do Egito pressiona produtores e ameaça mercado no Sul de Minas

Em audiência na ALMG, setor denuncia concorrência desleal e prática de dumping

Mar 18, 2026 - 09:51
Importação de morango do Egito pressiona produtores e ameaça mercado no Sul de Minas
Produtores do Sul de Minas, responsáveis pela maior fatia do mercado de morangos na América Latina, enfrentam dificuldades para competir com os baixos preços do produto importado

O avanço da importação de morango congelado vindo do Egito tornou-se o principal desafio para a sustentabilidade econômica do Sul de Minas, maior região produtora da fruta na América Latina.

Em audiência pública realizada pela Comissão de Agropecuária e Agroindústria da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta terça-feira, 10, produtores e lideranças do setor alertaram para indícios de concorrência desleal que estariam inviabilizando a produção nacional.

O volume de importações da fruta saltou mais de 800% nos últimos três anos, impulsionado por um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Egito que prevê a redução progressiva de tarifas.

Segundo dados apresentados no debate, o morango egípcio chega ao Brasil custando cerca de R$ 7,50 por quilo, valor inferior ao custo médio de produção em Minas Gerais, estimado em R$ 8,50.

Impacto nos preços e dumping
A principal denúncia levada aos parlamentares é a prática de dumping - quando um país exporta um produto por um preço inferior ao praticado em seu mercado interno para eliminar a concorrência estrangeira.

No Egito, o quilo da fruta é comercializado por aproximadamente R$ 15,00, o dobro do valor de exportação para o Brasil.

O reflexo direto é sentido no bolso do produtor mineiro. Relatos indicam que o preço pago pelo morango destinado à indústria caiu drasticamente: se em dezembro de 2024 o quilo era vendido por R$ 4,50, atualmente o valor gira em torno de R$ 1,50, uma redução de 67%.

No mercado de frutas in natura, a caixa que custava R$ 24,50 no fim de 2024 passou a ser negociada por R$ 10,50.

Risco social
A crise ameaça diretamente a agricultura familiar, que responde por 98% da produção de morango no estado. Somente no Sul de Minas, a atividade envolve cerca de 11 mil agricultores.

"O produtor está vendendo abaixo do preço de custo. Se essa situação persistir, teremos um abandono em massa da atividade, desestruturando a economia de dezenas de municípios que dependem da cultura", afirmou o deputado Dr. Maurício (Novo), autor do requerimento para a audiência.

Próximos passos
Como desdobramento da reunião, a Comissão da ALMG aprovou requerimentos para que o Governo Federal investigue a prática de dumping e reavalie as alíquotas de importação.

Também foram sugeridas medidas de fiscalização sanitária mais rigorosas para o produto importado e a criação de mecanismos que garantam a rastreabilidade e a identificação clara da origem do morango nos pontos de venda.

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