Patente da semaglutida expira nesta sexta e abre caminho para versões acessíveis do Ozempic

Fim da exclusividade da Novo Nordisk no Brasil permite que laboratórios nacionais e estrangeiros lancem genéricos e similares

Mar 20, 2026 - 12:36
Mar 20, 2026 - 12:46
Patente da semaglutida expira nesta sexta e abre caminho para versões acessíveis do Ozempic
Caneta de aplicação de semaglutida: fim da patente no Brasil deve ampliar o acesso ao tratamento para milhões de brasileiros com diabetes e obesidade

A partir desta sexta-feira, 20, a patente da semaglutida - princípio ativo de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Rybelsus - expira oficialmente no Brasil. 

O marco encerra o período de exclusividade da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk e autoriza que outras empresas fabriquem e comercializem a substância, prometendo uma transformação no mercado de tratamentos para diabetes tipo 2 e obesidade.

A queda da patente ocorre após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negar, em dezembro de 2025, um pedido de extensão do prazo de validade do registro.

Com a decisão, a fórmula entra em domínio público, permitindo que a concorrência atue no setor. Estima-se que as novas versões cheguem às farmácias com preços entre 30% e 60% menores que os praticados atualmente.

Corrida da indústria e análise da Anvisa
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já analisa pelo menos 14 pedidos de registro de medicamentos contendo semaglutida.

Entre as empresas no "pelotão de frente" estão gigantes nacionais como EMS, Hypera Pharma e Cimed, além da Biomm, que firmou parceria com a indiana Biocon.

Apesar da expiração da patente ser imediata, a chegada dos produtos às prateleiras não é instantânea.

Os laboratórios ainda aguardam o aval final da agência reguladora, que atesta a segurança, eficácia e bioequivalência das novas fórmulas. A expectativa de especialistas é que as primeiras autorizações de comercialização ocorram ainda neste primeiro semestre de 2026.

Perspectivas para o SUS
A redução de custos é vista pelo Ministério da Saúde como um fator determinante para a possível incorporação da semaglutida ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Atualmente, o alto custo unitário das canetas de aplicação semanal inviabiliza a distribuição em larga escala na rede pública.

Com a entrada de genéricos e a maior oferta, a viabilidade orçamentária para o tratamento de casos graves de obesidade e diabetes volta à pauta do governo.

A recomendação médica, contudo, permanece rigorosa: mesmo com a perspectiva de barateamento, o uso da semaglutida exige prescrição e acompanhamento profissional, devido aos riscos de efeitos colaterais e à necessidade de protocolos específicos para cada paciente.

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